Com a nova certificação, cooperativa de açaí poderá comercializar o produto no mercado nacional, europeu e norte americano

Comunitário, sustentável, rastreável e, agora, orgânico – o açaí da Amazonbai, a Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas do Bailique e do Beira Amazonas, em Macapá, que já é exemplo de bioeconomia bem-sucedida no coração da Amazônia, recebe agora a certificação orgânica, que permitirá a comercialização do produto em novos e importantes mercados.

 A nova certificação é a sexta ferramenta de diferenciação conquistada pela cooperativa. Ela atesta que o açaí Amazonbai é livre de agrotóxicos, fertilizantes e outras substâncias químicas, além de ser produzido com respeito aos animais, aos humanos e à natureza.

 Com o objetivo de agregar valor ao açaí e desenvolver seu território, a busca da Amazonbai por certificações que possam traduzir seus esforços aplicados a uma produção, colheita e processamento sustentáveis, não é de hoje.

 Em 2016, a cooperativa teve o primeiro açaizal do mundo a receber a certificação FSC® de manejo florestal (FSC-C131371), atestando as boas práticas da cooperativa no manejo do açaí. Dois anos depois, a cooperativa também conquistou a primeira certificação FSC de Cadeia de Custódia (FSC-C143197) para o produto açaí do sistema, assegurando a sustentabilidade e a rastreabilidade de toda a cadeia produtiva.

O bom manejo das florestas permitiu que a cooperativa conquistasse, em 2019, também com pioneirismo, o Serviços Ecossistêmicos FSC para manutenção dos estoques de carbono e conservação da biodiversidade, atestando que a produção do açaí Amazonbai, além de manter a floresta em pé, ainda contribui para a manutenção da biodiversidade.

Desde 2018, o Instituto Terroá vem apoiando a cooperativa em seu desenvolvimento territorial sustentável, tanto por meio da aplicação de tecnologias sociais, como aEscala de Maturidade para empreendimentos em cadeias da sociobiodiversidade”, quanto por meio do apoio nos processos, obtenção e manutenção das certificações da cooperativa.

Nesse sentido, para apoiar a Amazonbai na conquista da Certificação Orgânica, o Instituto Terroá implementou outra tecnologia própria denominada Sistema Integrado de Certificações, onde as exigências das certificações orgânica e FSC foram tratadas de forma conjunta, estabelecendo um padrão de boas práticas da cooperativa.

Ao longo desses anos de atuação, a equipe do Instituto Terroá apoiou a cooperativa nas adequações necessárias para o monitoramento das certificações orgânica e FSC, criando ferramentas integradas para facilitar e possibilitar o controle e monitoramento das boas práticas pelos membros da cooperativa.

Também desenhou, em conjunto com a cooperativa, o sistema de rastreabilidade, cumprindo as exigências de ambas as certificações, e apoio à elaboração dos mapas das áreas de manejo. Ainda no âmbito de monitoramento, a equipe realizou treinamentos de capacitação para que jovens da comunidade se tornassem monitores e articuladores locais, tanto para ações de monitoramento quanto para a coleta de dados sobre a safra e rastreabilidade.

Na frente de apoio à gestão, a equipe do Instituto Terroá realizou assistência técnica para a gestão da cooperativa, monitores, articuladores locais, funcionários da agroindústria e produtores, além de apoiar a elaboração de documentos e procedimentos. A equipe também facilitou a criação de um banco de dados para arquivar os documentos necessários para as certificações, além de acompanhar e auxiliar em todas as auditorias, criando soluções, junto à cooperativa, para as não conformidades e pendências.

É com orgulho que comunicamos essa conquista da Amazonbai. Como próximos passos, para o ano de 2023, o Instituto Terroá intensificará as ações de assistência técnica, com o objetivo de que a cooperativa se torne cada vez mais autônoma quanto às suas certificações. 

O Sistema Integrado de Certificações e o sistema de rastreabilidade, implementados na Amazonbai, são tecnologias sociais do Instituto Terroá que podem ser adaptadas e replicadas para outras cadeias da sociobiodiversidade, para empreendimentos comunitários e empresas interessadas em ampliar seu nível de sustentabilidade na gestão da cadeia.

 

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